sexualidade

Educar para a vida sexual saudável exige estar à vontade e bem resolvido com a sua própria sexualidade

Por Carmita Abdo

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Há poucos dias tomei conhecimento de uma matéria a respeito da educação sexual praticada em algumas instituições de ensino. A reportagem chamava a atenção para o fato de que a tecnologia levou as escolas particulares a modificar a abordagem e o foco. Comentava que, se antes a questão biológica era priorizada, agora eram os aspectos sociais e comportamentais os mais contemplados. Considerei instigante a chamada e continuei lendo.

Uma das professoras responsáveis por esses ensinamentos defendia que, se para os pais é difícil reconhecer quando a criança começará a sentir interesse sexual e como orientá-la, o mesmo não ocorre com os educadores, já que eles estão mais próximos. Que pena! Os pais deveriam estar próximos ou, no mínimo, serem alertados de que não estão.

Outra situação polêmica é a idade em que a educação sexual começa a ser praticada. Na melhor das hipóteses, no 5º ano. E guiada pela “curiosidade dos alunos”, nunca se responde mais do que eles perguntam. Por outro lado, utiliza-se o método de dúvidas anônimas, colocadas numa caixa pelos estudantes. Por que não são estimulados a falar abertamente e vencer os preconceitos? Melhor ainda se pudessem perguntar e ter respostas quando mais novos, antes de consolidarem tabus sexuais.

No âmbito das atividades propostas durante as aulas de educação sexual, ainda se usa “colocar camisinha na banana”. Alternativa adotada para ensinar as pessoas a se protegerem da Aids, no inicio da década de 1980. Mas, hoje, algum problema com os pênis de silicone, tão mais parecidos com os órgãos genitais que os garotos conhecem? Até porque já os têm entre suas pernas desde antes de nascerem.

Há escolas que tratam as mudanças no corpo como assunto de educação sexual. Admissível, como reforço às aulas de Ciências, que ensinam sobre hormônios sexuais e puberdade. Porém, os debates são realizados em salas “separadas”, onde meninos e meninas podem “ficar mais à vontade”. Quem não está à vontade: o aluno, a aluna ou o professor? Separar é uma tentativa de conter a curiosidade que o assunto gera. Não trabalhando todos juntos e com o professor, em sala, o tema das mudanças e diferenças dos corpos terá vazão em outros contextos menos protegidos e adequados.

Entre as atividades adicionais, os alunos são convidados a cuidar de um ovo, simulando cuidados com um bebê. A insistência em aspectos de reprodução e maternagem nas aulas de educação sexual mais confunde do que esclarece. Tudo isso já acontecia nos anos 60 do século passado e já não fazia link com o caráter erótico da atividade sexual.

O confronto com a própria sexualidade pode causar angustia e desviar o interesse a temas supostamente de outros, como transexualidade, que uma aluna acha “legal entender, porque algumas pessoas não se identificam com o que é considerado normal pelos outros”. Vale aprofundar a discussão sobre essas “pessoas”, esses “outros” e o conceito de “normalidade” mais do que reproduzir o que está nos livros. Pode haver transexual em sala…

Enquanto continuarmos estimulando que os jovens vistam camisinha na banana, debatam sexo em salas separadas, cuidem do ovo, perguntem anonimamente e se ocupem da sexualidade “do outro”, vamos continuar negligenciando discutir erotismo, prazer sexual, direitos e deveres sexuais, desconforto no sexo, preconceito, violência sexual.

Educar para a sexualidade saudável exige que o educador esteja capacitado, à vontade e bem resolvido na sua própria sexualidade. Lamentavelmente, apesar da sociedade reconhecer a importância do tema, pouco investe nessa formação dos professores, com os quais me solidarizo, pois se desdobram para não serem reprovados nessa matéria.

Fonte Fphttp://oglobo.globo.com/sociedade/sexo/camisinha-na-banana-17541226#ixzz3mFEuOTCb

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