adolescência, psicologia, sexo, terapia

Terapia comportamental na ejaculação precoce

Tratamento é facilitado com participação do casal nas sessões

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O relacionamento sexual é uma expressão humana que foi além do estritamente biológico, transformando-se em comportamentos que são exigidos nos relacionamentos interpessoais dentro de uma cultura. Assim, o comportamento sexual de controlar a ejaculação para que o casal envolvido na relação tenha prazer foi sendo desenvolvido na história humana. Desta forma, não fazemos sexo para ter filhos, mas para ter prazer e manter um relacionamento de casal.

Os comportamentos humanos para se viver em sociedade precisam ser aprendidos. O aprendizado se dá por ensinamentos a partir dos pais, da família e das outras instituições sociais (escola, religião, grupos de amigos, trabalho). Os primeiros aprendizados de como adultos se relacionam em termos de erotismo ocorrem por imitação de um modelo: os pais. Assim, aprendemos como homens e mulheres devem se aproximar um do outro para terem condições de produzir intimidades. Esse passo é muito importante, pois a criança precisa aprender modelos nos quais se sintam relaxadas e com sentimentos positivos, o que certamente facilitará a atividade sexual.

Depois dos primeiros anos, já com domínio da linguagem, as crianças aprendem as regras de convívio nos relacionamentos que vivem. Por isso é tão importante que os pais passem as regras morais que determinam as atividades sexuais. Claro que não adianta só falar, pois as crianças assistem aos pais se comportando, ou seja: se falarem uma coisa e fizerem outra, a criança aprende diferente do que é dito. E na adolescência ocorrem grandes aprendizados de como os genitais funcionam e o significado de sexo se estabelece nessas vivências adolescentes.

Adolescência

Entre os 15 e 20 anos se estabelecem os padrões de comportamentos sexuais, e depois a pessoa tentará manter esses padrões o resto da vida, repetindo-os. Se derem certo, maravilha! Se um dia derem errado ou não servirem… problemas! Aqui ocorrem as disfunções sexuais.

Compreendendo esses mecanismos de aprendizagem nos primeiros 20 anos de vida, podemos compreender que um homem possa não aprender como controlar a ejaculação para que possa desfrutar de um relacionamento sexual duradouro. Se não aprendeu, fará o que o corpo permite. E o corpo tenderá a ejacular o mais rápido possível quando penetrado para garantir a reprodução, e não o prazer do casal. Buscar o prazer é algo humano, além do animal.

Assim, a chamada ejaculação precoce passou a ser um problema somente nos últimos cem anos, quando a atenção ao prazer da mulher ocorre como uma preocupação do homem.

E o que se pode fazer para tratar a incapacidade de controlar a ejaculação pelo tempo que um casal desejar? Aqui entram a psicologia e o que se chama de psicoterapia comportamental.

Psicoterapia comportamental

A psicoterapia é uma forma de tratamento para se modificar as condições que trazem mal-estar a uma pessoa. Aplicada à sexualidade, e no caso à ejaculação precoce, a psicoterapia tem como objetivo permitir que este homem, neste casal, possa superar o problema da falta do controle sobre a ejaculação. A psicoterapia comportamental foca o problema, considerando o homem e o casal.

O tratamento da ejaculação precoce será mais fácil e mais rápido com a participação do casal nas sessões, como chamamos as consultas semanais de 50 minutos que acontecem nesse tratamento.

Modificar um comportamento pode levar tempo, e mais tempo precisaremos se o problema é mais antigo. Afinal, velhos hábitos não morrem tão facilmente…

No consultório o terapeuta conversará, perguntará como fazem as atividades sexuais e proporá, a cada semana, alterações da interação do casal para que modifiquem o comportamento sexual a fim de que esse homem desenvolva o controle sobre a ejaculação. Serão muitas semanas, vários meses de sessões semanais. Precisam ser semanais, pois com o aumento do tempo entre as sessões o tratamento demora mais tempo e dificulta a modificação dos comportamentos.

É possível, e muitas vezes necessário, que existam sessões individuais com o homem ou com a mulher. Assim, o psicoterapeuta poderá compreender os aspectos emocionais envolvidos nos comportamentos e no relacionamento conjugal.

Muitas das orientações que o psicoterapeuta fará em sessão podem ser encontradas em pesquisas na internet, porém existe um momento adequado para cada técnica ser usada. Fora do momento adequado, a técnica será frustrante e desacreditada pelo não funcionamento. Afinal, não aprendemos a escrever frases antes de escrever as palavras, e estas só aprendemos depois de muitos treinarmos os desenhos das letras. E assim será na psicoterapia para curar a ejaculação precoce.

Como controlar a ansiedade

O sexo bom e positivo acontece sob condições de relaxamento. O problema é que a ansiedade geralmente aparece nos momentos sexuais, e não fora deles. Assim, não existe um ejaculador precoce que é ansioso. Existe um homem que se comporta com ansiedade no momento sexual. Claro que treinar técnicas de relaxamento auxiliará, mas não será o bastante para mudar o comportamento sexual.

Técnicas de como relacionar-se sexualmente precisarão ser treinadas. O psicoterapeuta orientará, seguindo os limites morais do casal em terapia, cada uma dessas técnicas que sejam necessárias para melhorar o comportamento sexual. Muitas técnicas de estimulação genital em ambos precisão ser testadas. As posições sexuais precisam ser conhecidas de acordo com o que facilite mais o controle ou produza a ejaculação mais rápida.

Leituras ao longo da semana ajudarão na compreensão do funcionamento do corpo ou mesmo ilustrarão sobre muitas das técnicas sexuais. Mas não se apressem, existem livros e livros. Alguns serão péssimos, conduzindo a ideias erradas e mais problemas.

Um momento especial será o da compreensão de como os pensamentos que a pessoa tem estão errados. Algumas vezes temos apenas uma informação errada que poderá ser corrigida em sessão pelo especialista. Mas geralmente existem formas, esquemas de pensamento que sempre conduzem ao erro, e a pessoa não sabe como modificar isso. Esse será o papel do psicoterapeuta em orientar formas de a pessoa poder mudar esses esquemas de pensar errado. Afinal, se pensar errado, sentirá emoções erradas, e o comportamento será errado. E isso pode ser necessário para o casal, individualmente.

Ao longo das várias semanas o casal modificará o comportamento de base da relação sexual até chegarem ao coito, à penetração com controle ejaculatório voluntário.

Através desse processo psicoterápico um homem que só conseguia ficar 30 segundos em penetração poderá conseguir ficar 30 ou 40 minutos se assim o desejar. Claro que a presença da parceira sexual servirá de parâmetro para quanto tempo o casal precisa. Muitos casais mostram-se satisfeitos com 12-15 minutos, outros precisam de 20 minutos de relação de penetração. Assim, a cada semana esses números se formarão e apontarão quando a psicoterapia termina.

Muitas vezes será necessário marcar algumas sessões espaçadas após o término da terapia para reorganizar alguns comportamentos e prevenir possíveis recaídas.

Os métodos utilizados têm sido validados nos últimos 50 anos e permitido a muitos casais descobrirem novas formas de sentirem prazer sexual, mantendo-se juntos e com um futuro de longo prazo previsto com um relacionamento sexual satisfatório.

Psic. Dr. Oswaldo M. Rodrigues Jr. – São Paulo, SP. 

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