adolescência

Bullying, até quando iremos tolerar?

*Por Dr. Bayard Galvão

“Bully” é quem agride alguém de maneira constante, acreditando que esse alguém seja  inferior no aspecto agredido, seja emocional, físico ou intelectual. Muito é dito sobre os efeitos de sofrer agressões frequentemente do “bully” nas escolas (também chamado de “bullying”), flutuando entre vários dos quadros psicológicos de sofrimento, desde diminuição de autoestima, fobia social, ansiedade, depressão e até suicídio.

O foco do presente texto não é direcionado para os efeitos, mas sim as suas causas e possíveis maneiras de diminuir (não acredito que deixará de existir) a sua ocorrência. Perguntar quais as causas do “bullying” equivale à pergunta: por que as pessoas agridem?

Vamos ampliar a pergunta antes de respondê-la: por que cerca de 50% das maiores bilheterias de cinema no planeta são de filmes de violência? Entre “MMA” e boxe, as pessoas têm preferido assistir qual e por quê? Por que as pessoas costumam passar perto de acidentes de carro e moto com um misto de “não gostaria de querer olhar, mas agora que estou vendo, tem sangue ou alguém morreu”? Por que o Coliseu existiu? Já achou a resposta? Agora, o que costuma fazer as pessoas rirem numa piada de português, negro, gaúcho, gordo, judeu, gay ou outros?

A resposta é relativamente simples, mas também intrigante: o ser humano tem prazer ou alívio em agredir e ver violência, na maioria esmagadora das vezes, por razões genéticas. Não importa a sua forma, seja física, verbal ou emocional.

O que leva alguém a ser “bully”? Além da causa do prazer genético em agredir, há também a sensação de superioridade ao outro; ser líder (o medo gerado pela pessoa que exerce a agressão inspira admiração e medo, facilitando o “cargo”); fazer parte de um grupo (quem ataca em grupo, tende a não ser atacado); esquiva-se, inclusive, da solidão; sentir-se importante ou valorizado; evitar ser a vítima da agressão (“a melhor defesa é o ataque”); reproduzir as vivências em casa (na relação com irmãos ou pais); não ter recebido punição por exercer agressões injustas (agredir para se defender, juridicamente, é lícito); compreender que agredir também é uma maneira de gerar alívio, não é por acaso que pessoas com raiva (um tipo de dor), sentem-se melhores após gritarem, socar algo ou xingar; quando motivado por questões étnicas e variações, intolerância ao diferente, comumente considerado inferior; e/ou não se colocar no lugar da vítima.

Com base nessas causas, algumas possibilidades de diminuir o “bullying”: aulas que “imoralizem” violências injustas (muitas discussões possíveis neste ponto); punições para os agressores (advertência ou suspensão da escola); ensinar crianças e adolescentes a se colocarem no lugar do agressor e da vítima; exercer a violência virtualmente, seja em “games” ou assistindo filmes com violências justas; ter alguma atividade física de intenções violentas, com pouca ou nenhuma violência, como uma arte marcial; mostrar para as crianças que para serem boas ou especiais não precisam diminuir o outro; entender este prazer e alívio genético e saber que é preciso aprender a lidar com ele de maneira saudável; oferecer atendimento psicológico para eventuais problemas familiares que o “bully” possa estar tendo e ensinar todos a se defenderem dos diferentes tipos de agressão, pois dificilmente tenderá a haver agressão contra quem é mais capaz do que o agressor.

O prazer ou alívio na violência nas suas múltiplas formas precisa ser entendido, e apenas assim, cria-se a possibilidade de lidar com estes efeitos genéticos de maneira saudável e razoável.

*Bayard Galvão é psicólogo clínico formado pela PUC-SP, hipnoterapeuta e palestrante. Especialista em Psicoterapia Breve, Hipnoterapia e Psiconcologia, Bayard é autor de cinco livros, criador do conceito de Hipnoterapia Educativa e Presidente do Instituto Milton H. Erickson de São Paulo. Ministra palestras, treinamentos e atendimentos individuais utilizando esses conceitos.  www.institutobayardgalvao.com.br

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