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Uso de álcool e drogas aumenta na pandemia. O que fazer?

Um levantamento concluiu que o consumo de álcool e drogas aumentou de modo significativo durante a quarentena, levando a Organização Mundial de Saúde (OMS) a recomendar que os países limitassem a venda de bebidas.

No entanto, por que houve um aumento do consumo de substâncias, tanto lícitas quanto ilícitas? Segundo o professor André Malbergier, do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, essa é uma resposta a sentimentos negativos.

“Esse é um modelo bastante antigo, no qual as pessoas buscam nas substâncias o que chamamos de coping, uma palavra em inglês que tem associação com a maneira de enfrentarmos os problemas e também com a nossa resiliência. É a forma como reagimos às situações de estresse, ameaça, ansiedade e desconforto emocional.

Algumas pessoas respondem a esses sentimentos negativos através do uso de drogas, e é o que a gente tem percebido nessa pandemia; as pessoas acabam usando drogas mais sedativas e anestésicas (álcool e maconha, por exemplo) e usam menos drogas estimulantes, principalmente porque não estão ocorrendo as famosas raves e festas – locais que têm maior índice do uso de êxtase ou ácido.

Então, sim, é uma forma de sedação, de anestesia e de reação a esses sintomas negativos ligados a sofrimento, ansiedade, estresse, imprevisibilidade – não sabemos quando vai acabar, não sabemos se vamos nos contaminar ou se as pessoas que gostamos vão pegar o coronavírus também.”

Especialistas dizem que, no momento de crise pode acontecer que uma pessoa que não utilizava álcool e drogas passe a consumir. No entanto, os fatores de risco são a “pré-disposição” e a vulnerabilidade do mesmo: pessoas que sofrem de ansiedade ou depressão, por exemplo, têm maiores dificuldades em controlar o consumo de drogas. Além disso, a convivência forçada com familiares hostis devido a quarentena, a solidão provocada pelo isolamento, muitas vezes o desemprego ou a redução do salário, também contribuem para uma pessoa que já é pré-disposta ao consumo de substâncias, utilizarem ainda mais.

Como dito em um artigo anterior sobre dependentes químicos, os terapeutas hoje tratam os usuários de drogas através da mudança de motivação, levando-o a encontrar novas maneiras de se relacionar e dar novas habilidades sociais para que a pessoa lide com o cotidiano. Em casos de pessoas que não querem parar de utilizar drogas, há um processo de conscientização e redução de danos, visando o maior bem estar possível ao indivíduo.

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