Mecanismos de Defesa: quando nos defendemos de nossas próprias angústias de modo inconsciente
psicologia

Mecanismos de Defesa: quando nos defendemos de nossas próprias angústias de modo inconsciente

Dentro da teoria psicanalítica, os mecanismos de defesa têm por finalidade fazer com que a pessoa encontre soluções para conflitos internos que não são resolvidos no nível da consciência.

A grosso modo, quando algo sobre você mesmo cria uma certa angustia e você não consegue lidar, você ativa um mecanismo de defesa para que seu próprio sofrimento seja menor. O problema é que isso pode criar comportamentos disfuncionais caso seja excessivo.

Entre os principais mecanismos de defesa conhecidos estão:

  • Recalque: também conhecido como repressão, o recalque é um mecanismo de defesa básico onde certos traumas e conflitos não bem resolvidos ficam recalcados em nossa mente inconsciente. Em muitos casos, a pessoa pode acabar apagando o episódio de sua mente consciente para evitar o sofrimento. No entanto, caso o recalque não seja bem resolvido, ele pode se tornar uma neurose;
  • Regressão: quando a pessoa retorna a níveis anteriores do desenvolvimento quando se depara com a frustração. Geralmente associada a uma postura mais infantil e até mesmo fantasiosa para lidarmos com aquele problema;
  • Projeção: quando características ligadas a nós são colocadas em algum objeto ou em outra pessoa para nos defendermos de nossas próprias angustias. Tratar uma pessoa mal e acusá-la de algo que negamos em nós mesmos é um ótimo exemplo. O marido que reclama que a esposa sempre o trai e, na prática, ele quem trai ela; chamar alguém de mentiroso quando você é a pessoa mentirosa;
  • Formação reativa: quando reprimimos fortes impulsos e tendemos a nos comportar da maneira oposta ao que sentimos. Uma mãe que se preocupa exageradamente com o filho pode ser reflexo de uma hostilidade a ele; um homem homofóbico que no fundo tem desejos homossexuais; uma pessoa valente que quer esconder o próprio medo etc;
  • Sublimação: quando buscamos modos socialmente aceitáveis de satisfazer as nossas pulsões que, a princípio, não seriam aceitáveis em sociedade. Quando trabalhamos, estamos transformando nossa libido ou nossa pulsão sexual ou de vida em algo “produtivo”;
  • Racionalização: quando criamos explicações altamente racionais para nossos fatores emocionais e motivacionais. Basicamente são as “boas razões” para justificarmos algo, como alguém que deseja algo e, não conseguindo, acaba dizendo que “não queria mesmo”; um homem que é dispensado por alguém que gosta e também diz “ela nem era tão boa assim”. Damos uma explicação lógica e racional para algo que nos incomoda;
  • Isolamento: quando isolamos os nossos sentimentos perturbadores de modo que nos tornarmos insensíveis a ele. Um bom exemplo é um filho que, após a morte de sua mãe, fala de modo frequente sobre ela com uma enorme naturalidade sobre sua morte, não demonstrando dor;
  • Identificação: quando diminuímos nossas angústias identificando-se com outras pessoas ou grupos. Por essa razão tendemos a fazer algo que consideramos “perigoso” com mais fascilidade quando estamos em grupo, já que o sentimento de culpa e angústia acaba diluindo no grupo inteiro. Pessoas que fracassam em determinada área e se conectam a pessoas que triunfaram no mesmo segmento e acabam pegando para si aquele triunfo como se fosse dela. Um caso bem emblemático é quando a pessoa gera empatia e se identifica com uma pessoa que a oprime;
  • Negação: considerado um dos mais ineficazes, a pessoa simplesmente nega os fatos. “Não foi bem assim que aconteceu”, “Nunca aconteceu e não vai acontecer mais”.

Existem outros mecanismos de defesa e eles fazem parte da nossa psiquê e não devem ser considerados um problema, a menos que seja de modo excessivo como dito anteriormente. Nenhum mecanismo de defesa é empregado de modo consciente pelo indivíduo.

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