Estudo sugere que quebrar normas de gênero pode melhorar sua saúde mental
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Estudo sugere que quebrar normas de gênero pode melhorar sua saúde mental

Um novo estudo publicado pela revista Cerebral Cortex (via BBC), mesmo que não conclusivo, sugere que os cérebros andróginos, ou seja, que têm uma mistura de traços do estereótipo masculino e feminino, possuem menos problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade, e também está relacionada ao aumento da criatividade.

Psicologicamente, a maioria das pessoas está em algum lugar no espectro que considera-se o modo estereotipado de ser “homem” ou “mulher”, e já é comprovado pela neurociência que os cérebros de ambos os gêneros são semelhantes, porém, a conectividade entre as áreas são distintas.

Os homens, por exemplo, não são não são incentivados a expressar sentimentos ou chorar quando estão tristes. Em vez disso, espera-se que sejam duros, assertivos, racionais e bons em tarefas visuais e espaciais, como leitura de mapas. Por outro lado, espera-se que as mulheres sejam mais emocionais, atenciosas e melhores no uso do idioma. No entanto, os cérebros não estão distribuídos nos dois extremos.

Para testar o conceito, os estudiosos criaram um espectro do cérebro usando um algoritmo de aprendizado de máquina e dados de neuroimagem, e usaram os marcadores em 4.495 homens e 5.125 mulheres.

“Em uma subamostra, aproximadamente 25% dos cérebros foram identificados como masculinos, 25% como femininos e 50% foram distribuídos ao longo da seção andrógina do espectro.

Além disso, descobrimos que os participantes que se enquadravam no meio desse espectro, representando a androginia, tinham menos sintomas de problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade, em comparação com aqueles nos dois extremos.

Esses achados apoiam nossa nova hipótese de que existe um conceito de neuroimagem de androginia cerebral, que pode estar associado a uma melhor saúde mental de maneira semelhante à androginia psicológica.” – diz a matéria da BBC.

Esse estudo sugere que o comportamento não estereotipado pode nos beneficiar a sermos pessoas mais felizes e funcionais, não necessariamente atendendo às normas e expectativas da sociedade.

“Se uma menina ouvir que é rude ou inapropriado ser assertiva, por exemplo, ela pode mudar seu comportamento para amenizar ou esconder sua assertividade, o que pode afetar suas futuras opções de carreira, por exemplo.

Adolescentes homens, por exemplo, podem não ser encorajados por amigos e familiares a considerar carreiras mais gratificantes, mas sim escolher trabalhos mais perigosos, como ingressar no exército ou na polícia.”

Além disso, uma análise com 78 estudos com cerca de 20 mil participantes revelou que os homens tendem a obedecer às normas masculinas típicas, como nunca depender dos outros e exercer poder sobre as mulheres, sofrem mais sintomas psiquiátricos do que outros, como depressão, solidão e abuso de substâncias, além de se sentirem mais isolados e não criam conexões sociais com outras pessoas.

Já as mulheres presas às regras sociais também pagam um preço por assumirem esse “papel de ser mulher”, como não seguir uma carreira, por exemplo. Já a pessoa andrógina não é influenciada pelas normas na mesma medida. Devido a neuroplasticidade do cérebro, é possível que uma pessoa que esteja na extremidade do espectro possa não ser “tão extrema”.

“Nosso próprio estudo sugere que o nível de androginia cerebral das pessoas pode mudar ao longo da vida. Pesquisas futuras são necessárias para compreender as influências na androginia cerebral ao longo da vida e como fatores ambientais, como a educação, podem afetá-la.

Uma vez que descobrimos que um cérebro andrógino oferece melhor saúde mental, segue-se que, para um ótimo desempenho na escola, no trabalho e melhor bem-estar ao longo da vida, devemos evitar estereótipos extremos e oferecer às crianças oportunidades equilibradas à medida que crescem.” – finaliza a matéria.

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