comportamento

Mudar o outro: o que a psicologia tem a dizer sobre isso?

Segundo o mestre em psicologia pela PUC do Chile em terapia de casais, Alexandre Coimbra Amaral, em seu vídeo “O ranço de querer mudar o outro” no canal do Instituto Aripe, quando entramos em algum tipo de relacionamento amoroso que está dando certo, nós idealizamos uma pessoa que não corresponde ao que ela é na realidade.

Após o período de encantamento, vem o da desilusão, e os erros cometidos no cotidiano confirmam que o outro está distante deste ideal, e aí começa uma outra fase da união que é a tentativa de mudar o outro para que ele se adeque as expectativas criada por você. Ou seja, “o outro precisa mudar para ser alguém que eu quero que ele seja”, sendo uma das razões mais comuns pelos desentendimentos de uma relação e até mesmo a ruptura de um vínculo afetivo.

No entanto, entende-se que tentar mudar o comportamento do outro é, além de exaustivo, ineficaz, e causa problemas de ansiedade naquele que quer ter o controle das situações. Segundo o psicólogo Fred Mattos em sua coluna no canal Universa, tentar mudar o outro é o mesmo que “lutar contra uma parede”.

“Apostar que um relacionamento será possível na condição que uma pessoa mude o jeito de ser, pensar, sentir e agir pode incorrer uma cilada por dois motivos. Um, a pessoa precisa querer mudar e mais que querer mudar ter os recursos e motivação para tanto. O segundo é se uma mudança consistente é possível, afinal, mesmo com toda boa vontade do mundo certos traços de personalidade podem ser quase intransponíveis”, diz Mattos.

Isso não significa que comportamentos prejudiciais não devam ser mudados e que você não queira ajudar o outro a ter hábitos melhores, mas dificilmente funciona através da imposição que, em muitos casos, resulta no efeito oposto. Entende-se que o melhor é aceitar o outro como ele é, com suas virtudes e defeitos, e a motivação para mudança deve partir da própria pessoa através do autoconhecimento e, nessas horas, um bom psicólogo pode ajudar.

Durante a década de 1970 e meados de 1980, os psicólogos James Prochaska e CarloDiClemente procuraram estudar a razão pela qual as pessoas têm dificuldade em mudar o próprio comportamento e avaliaram as pessoas a partir da junção de várias linhas teóricas da psicologia, incluindo a Gestalt, psicanálise e cognitivo comportamental. Ambos chegaram a conclusão de que a mudança de comportamento passa por um ciclo de seis fases.

  1. Pré-contemplação: O sujeito nega a existência de um problema, mas as pessoas ao redor já percebem que há algo errado. A pessoa não consegue, ou não quer, enxergar;
  2. Contemplação: Aqui há uma identificação de que aquela atitude ou hábito deve ser melhorado ou mudado, mas a pessoa acaba se questionando as vantagens e desvantagens do processo;
  3. Preparação: Com a decisão tomada de mudança, a pessoa traça um planejamento estratégico para mudar. É aqui que a motivação aparece;
  4. Ação: A pessoa diminui ou elimina o comportamento prejudicial, mesmo que ela tenha o desejo de que aquilo aconteça;
  5. Manutenção: Nesta fase há a consolidação do comportamento e o indivíduo não quer retomar ao antigo hábito;
  6. Recaída: Elas são comuns na maioria das tentativas de mudanças de comportamento, sendo aquela situação que você retorna ao hábito antigo. Nesse momento, a pessoa tem o sentimento de fracasso, decepção, frustração e tristeza e, em muitos casos, ela desiste de mudar de comportamento pela recaída. No entanto, recair faz parte do processo e a solução é começar do estágio da ação o mais rápido o possível.

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