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Dia Mundial da Saúde Sexual: durante a pandemia, mais de 2 milhões de pessoas procuraram respostas para questões sobre sexualidade

Neste dia 4 de setembro foi comemorado o Dia Mundial da Saúde Sexual, que tem como objetivo divulgar aspectos que envolvem a sexualidade.

Entre as diversas mudanças que a pandemia da Covid-19 causou, o impacto do isolamento social nos relacionamentos íntimos é uma das dificuldades que se sobressaem nesta nova realidade. É o que mostra levantamento realizado pela Doctoralia no Brasil, apontando mais de 2,3 milhões de acessos a perguntas e respostas envolvendo temas relacionados à sexualidade e libido na página Pergunte ao Especialista .

De acordo com a ginecologista, sexóloga e membro da DoctoraliaAline Ambrosio, ao longo da pandemia, notou-se comportamentos distintos entre diferentes grupos. Os solteiros ou casais que não moram juntos, por exemplo, tiveram elevação do Sexting – atividade sexual através da tecnologia -, assim como do consumo de pornografia e uso de brinquedos eróticos. Já em relação aos casados, percebeu-se tendências diferentes, pois o número de divórcios aumentou, devido aos atritos ocorridos pela convivência, interferindo negativamente no vínculo sexual do casal. Desviando da norma, também existem os casais que tiveram aumento da atividade sexual, com melhora do vínculo afetivo durante a pandemia.

No entanto, a especialista enfatiza que a saúde mental está intrinsecamente conectada com o comportamento sexual da população. “O estresse e incertezas no que diz respeito ao planejamento de vida, das finanças e o medo de adoecer, são fatores que causam grande prejuízo à saúde em geral. E, ao longo da pandemia, os diagnósticos de ansiedade e depressão dispararam, sendo que tais doenças também afetam negativamente a resposta sexual”, explica. Coincidentemente, algumas das perguntas mais acessadas no “Pergunte ao Especialista” buscam entender o impacto de medicamentos voltados para a saúde mental no prazer sexual.

Saúde mental x Saúde sexual

Na Doctoralia, referência mundial em tecnologia em saúde, houve um aumento de 190% nos agendamentos de consultas com psicólogos e psiquiatras durante a pandemia (março/2019 e abril/2021), no Brasil. O número foi ainda maior (257%) entre consultas relacionadas à saúde íntima e sexual, ou seja, com ginecologistas, urologistas, sexólogos e andrologistas.

“É provável que, ao se depararem com os desafios impostos pelo isolamento social, seja na saúde mental ou sexual, as pessoas passaram a se atentar mais a essas questões, o que as levou a procurar por especialistas. E, sem dúvidas, quem vem cuidando da saúde mental durante a pandemia, terá mais condição de relacionar-se com os outros, não só sexualmente”, afirma Dra. Aline.

E neste Dia Mundial da Saúde Sexual (04/09), no intuito de promover consciência social em relação à educação sexual, a especialista membro da Doctoralia responde algumas das questões mais acessadas no Pergunte ao Especialista, envolvendo a temática. Confira!

Qual é o especialista mais indicado para tratar a falta de desejo sexual?

Dra. Aline: Na maior parte dos casos, esta disfunção sexual tem causas psicológicas. A causa também pode ser secundária a um desequilíbrio hormonal ou a dores no ato sexual, onde o cérebro reconhece a atividade como hostil e reduz o desejo na tentativa de evitar o contato novamente. Assim, o terapeuta sexual seria o mais adequado para tratar a queixa, pois sua formação engloba todos os aspectos da sexualidade: biológicos, psicológicos e sociais.

Qual antidepressivo não interfere na libido?

Dra. Aline: Os antidepressivos que elevam a liberação de dopamina podem melhorar a libido, já que esta substância é promotora da resposta sexual em todos seus quesitos: desejo, excitação e orgasmo.

Os antidepressivos com efeito dual, ou seja, que elevam a serotonina e noradrenalina, também podem ter menor efeito negativo na libido do que aqueles que só aumentam a serotonina, que tem ação negativa sobre o desejo sexual. É importante ressaltar que a depressão piora a resposta sexual e não tratá-la pode piorar ambos os quadros. Inclusive, a própria depressão pode ser a causa da disfunção sexual.

Ficar muito tempo sem sexo, pode fazer com que a ejaculação aconteça de forma mais rápida?

Dra. Aline: Sim, é possível. Após longos períodos sem atividade sexual, a excitação no momento do contato pode elevar, reduzindo o tempo da ejaculação após a penetração ou o estímulo manual.

Qual é o especialista mais indicado para tratar o vício em masturbação?

Dra. Aline: Neste caso, tanto o terapeuta sexual quanto o psiquiatra estão habilitados para atender e conduzir esta queixa. Vale aqui ressaltar que o vício em masturbação pode estar associado a dificuldade de relacionamento social e/ou vício em pornografia. A tela vicia e afasta o indivíduo do contato social, estabelecendo a impossibilidade de excitar-se no contato real com outra pessoa. As compulsões sexuais, quando estamos diante de prejuízo da vida social, profissional e pessoal do indivíduo, são tratadas com medicamentos e psicoterapia. Assim, o seguimento por um médico para a prescrição do medicamento será necessário.

Sou homem, tive Covid-19 e percebi uma falta de desejo sexual. Há alguma relação entre os dois?

Dra. Aline: Há alguns trabalhos mostrando que após a infecção por Covid-19, pode ocorrer a redução do desejo e da satisfação sexual. Não sabemos ainda por quanto tempo isto perdura, mas é provável que seja um quadro reversível na maioria dos casos.

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