psicologia

“Ninguém gosta de mim mesmo”; O que são pensamentos disfuncionais?

A crença disfuncional é o entendimento que carregamos sobre nós mesmos e o mundo e não somos capazes de questioná-los, já que percebemos como uma verdade absoluta, mesmo que aquilo leve a uma vida disfuncional e infeliz. Em termos práticos, é quando vemos a realidade com um olhar distorcido, pessimista e tendencioso, afetando diretamente nossos comportamentos e se relacionando ao nosso ciclo de autossabotagem.

As características das crenças disfuncionais incluem pensamentos exagerados, repetitivos, insistentes e inúteis, já que eles não ajudam a solucionar o problema a qual você está preso. Alguns exemplos de pensamentos disfuncionais incluem frases como:

  1. “Eu sabia que não ia conseguir”: Pensamento automático e disfuncional dos mais comuns. Quando ela fracassa em algo, ela forma uma ideia falsa sobre ela como “não tinha como conseguir mesmo”, “nem sei por que tentei”, “foi uma perda de tempo desnecessária”;
  2. “Vai dar tudo errado se eu fizer”: Esse pensamento já faz a pessoa se sabotar, impedindo que a ideia dela dê certo;
  3. “Ninguém gosta de mim”: Relacionado a ansiedade social, essa frase é comum em pessoas que têm dificuldades em se encaixar em determinado grupo, tem dificuldades em fazer amigos, e problemas nas relações familiares levam o indivíduo a pensar desse jeito;
  4. “Não era para ser”: Um mecanismo para lidar com uma perda ou com a não conquista de alguma coisa;
  5. “Faço tudo errado”: Mesmo que o indivíduo tenha talento e habilidade para realizar determinada tarefa, ele se sente inseguro e culpado quando as coisas dão errado, mesmo que as coisas deixem de funcionar por conta de fatores externos;
  6. “Não sou feliz mesmo”: A pessoa “se conforma” que não é e nem será uma pessoa feliz.

Segundo o psiquiatra americano David Burns (via ITPC), responsável pela popularização da Terapia Cognitivo Comportamental ao redor do mundo, em seu livro “Feeling Good Handbook”, há 18 tipos de crenças disfuncionais.

  1. Pensamento tudo ou nada (ou pensamento dicotômico): a pessoa entende que tudo na vida dela é baseado em “8 ou 80”. Sendo assim, ela tende a emitir comportamentos extremistas e se vincula a eles para justificá-los.
  2. Supergeneralização: o paciente interpreta uma situação de forma isolada, estabelecendo-a como verdade absoluta. Dessa forma, ele entende que um resultado negativo é suficiente para invalidar qualquer outra nova tentativa.
  3. Filtro mental: o paciente tende a focar em falhas, erros ou aspectos negativos de um acontecimento. Assim, os detalhes desagradáveis prevalecem sobre qualquer outro ponto.
  4. Desqualificação do positivo: a pessoa entende que os pontos positivos que acontecem na sua vida são meramente fruto do acaso, não reconhecendo essa experiência como algo de valor. 
  5. Leitura mental: a pessoa acredita que consegue adivinhar o que as outras pessoas pensam, mas não passa de uma suposição. Isso acaba acarretando a tomada de decisões precipitadas, pois a própria pessoa decide pelas outras envolvidas na situação
  6. Adivinhação: o paciente tende a fazer previsões sobre o futuro, criando desdobramentos praticamente infinitos na mente e, consequentemente, se fixando em hipóteses que, no final de tudo, tendem a ser pouco prováveis.
  7. Catastrofização: nesse caso, o paciente tende a ampliar ou minimizar o significado, importância ou probabilidade de certas coisas acontecerem. Dessa forma, ele tende a tentar criar uma lógica para justificar um desfecho imaginável. 
  8. Raciocínio emocional: a pessoa, nesse caso, entende as emoções como fatos e, devido a isso, tende a ignorar argumentos razoáveis que poderiam mostrar uma outra visão ou desfecho sobre aquilo.
  9. Declarações do tipo “deveria” ou “eu devo”: o paciente nutre uma expectativa acerca das coisas, pois acredita que elas deveriam acontecer ou ser de uma determinada forma. Logo, quando elas não correspondem a essas expectativas, o sofrimento é intenso.
  10. Rotulação: a pessoa atribui rótulos negativos a si mesmo e aos outros, a partir de acontecimentos isolados. Normalmente a rotulagem está distorcendo suas avaliações.
  11. Personalização: quando a pessoa leva absolutamente tudo pelo lado pessoal, assumindo culpa ou responsabilidade pelas atitudes e humores de outras pessoas.
  12. Atribuição de culpa: ela é o oposto da personalização, pois faz com que o paciente o transfira a culpa de seus problemas para as outras pessoas, se portando como vítima de todas as situações.
  13. Falácia de controle externo: a pessoa acredita que a vida é controlada pelo destino.
  14. Falácia do controle interno: a pessoa acredita que é o “centro do universo”, considerando que unicamente as ações feitas por ela que determinam o que acontece à sua volta. Isso acaba provocando o excesso de auto responsabilidade, pois não considera os fatores externos.
  15. Falácia da justiça: o sujeito é completamente apegado à como apego à ideia de “lei do retorno”, ou seja, entende que os seus esforços devam ser reconhecidos e retribuídos na mesma proporção.
  16. Falácia da recompensa do céu: a pessoa guia os seus atos esperando uma retribuição divina. 
  17. Falácia da mudança: o paciente acredita que pode mudar o outro, se pressionar o suficiente. 

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