psicologia

Pessoa perversa: a “boa pessoa” que por dentro gosta do seu sofrimento

A perversão é um conceito inicialmente proposto por Sigmund Freud no livro “Três Ensaios Sobre a Teoria de Sexualidade” onde ele faz uma analogia ao conceito de masoquismo e fetiche dentro do campo da sexualidade. Posteriormente, Jacques Lacan aprofundou e expandiu o conceito, entendendo-o como uma estrutura psíquica singular que se alia a neurose e a psicose, não só atingindo o campo sexual, mas também englobando os campos sociais, físicos, políticos e estruturais.

Segundo o psicólogo Evandro Costa Selles, a perversão é um desvio de comportamento, apontado pela psicanálise como um dos tripés das psicopatologias. Essa estrutura mental demonstra a vontade de transgredir a ordem natural das coisas e um prazer em perturbar as normas sociais, mesmo que a pessoa aparentemente demonstre ser agradável.

A pessoa perversa busca o prazer continuamente, tanto em seus comportamentos como em suas fantasias. Os sintomas de perversão variam de acordo com o paciente, já que a perversidade tem várias formas de manifestação, mas todos os perversos são manipuladores, impulsivos, muito sedutores e se sentem superiores aos outros, mesmo que disfarcem de “pessoas humildes”.

Não há sentimento de culpa, e as demonstrações de arrependimento servem para manipular uma situação ao seu favor. É comum que o perverso cometa diversos atos transgressores e considerados socialmente errados e, no final, o próprio perverso se demonstra vítima das circunstâncias numa tentativa de gerar compaixão nos outros.

Segundo o canal Mundo Psicólogos, os sintomas que conceituam a perversão incluem:

  • Exagero ou diminuição de algo: a pessoa estereotipa comportamentos, que passam a ser não só desejados, mas necessários para que haja o prazer.
  • Inversão e dissociação: a pessoa nega a norma estabelecida e toma um “atalho” na hora de viver a sua vida. É marcadamente a ideia de desvio, e essa negação da norma é a estratégia escolhida pelo paciente para reafirmar sua força.
  • Compromisso com a transgressão: a pessoa não está disposta a respeitar a moral, a lei e os costumes. Em seu compromisso de transgredir perverte a norma, afirmando ou negando um conjunto de costumes.

Já a psicóloga Fábia Dantas expõe que, mesmo para os psicólogos, é difícil identificar uma pessoa perversa e acreditar que ela seja mal-intencionada, considerando que o perverso sabe mentir e, em todos os momentos, ela se coloca como vítima de uma situação numa tentativa de manter o controle das mesmas.

Além disso, mestra em Psicologia Criminal e Forense pela Universidade de Barcelona, Gemma Aduara Arrufat, explica que uma pessoa perversa e narcisista procura ter total controle em seus relacionamentos, criando uma série de estratégias para alcançar determinado objetivo.

Arrufat elenca 25 características de uma pessoa que, além de perversa, também tem características narcísicas.

  1. São pessoas que não têm empatia, mesmo que finjam que têm.
  2. Eles parecem ser amáveis e encantadores, usando sedução para se aproximarem de suas vítimas
  3. Se confrontados, agem de forma incômoda.
  4. Se tornam agressivos e violentos se as situações ficarem fora do seu controle.
  5. Se sentem únicos ou especiais
  6. Sentem-se merecedores de mais privilégios do que outros.
  7. Pedem atenção e admiração excessivas.
  8. Têm fantasias recorrentes de sucesso ilimitado.
  9. Exploram os outros para seus próprios interesses e objetivos.
  10. Demonstram ciúme e inveja com frequência, mas falam que os outros que invejam e sentem ciúmes dele.
  11. Apresentam um comportamento arrogante e presunçoso.
  12. Eles criticam de modo bem violento aqueles que o veem como uma ameaça.
  13. O seu nível de sociabilidade é superficial e falso.
  14. Eles têm (ou demonstram) auto-estima exagerada.
  15. São pessoas que tentam fugir quando veem que alguém vai expô-los.
  16. Agem atacando a autoestima, autoconfiança e autovalorização dos que os rodeiam.
  17. Usam o duplo sentido das palavras para se posicionar como vítima em qualquer situação que os favoreça.
  18. São pessoas capazes de raciocinar de uma forma lógica, mesmo demonstrando exagero em seus sentimentos e os outros percebendo-o como uma pessoa sentimental.
  19. Possuem habilidades para tornar suas ações justificadas.
  20. Quando têm inveja das qualidades morais de outras pessoas, farão o melhor para destruir essas virtudes.
  21. São especialistas em falar de forma ambígua, o que cria confusão no outro.
  22. Tendem a mentir continuamente, mas não o fazem de forma direta e nem por inteiro (contam meias verdades), mas usam insinuações e silêncios de uma forma que cria mal-entendidos dos quais podem obter benefícios no futuro.
  23. Utilizam mecanismos projetivos de defesa nos quais fazem com que outras pessoas vivam o que eles não podem suportar.
  24. Não estão cientes do seu problema. Eles, de acordo com a sua mente, representam a perfeição, por isso não têm de mudar nada em si mesmos.
  25. São como camaleões. Como eles próprios não têm uma identidade definida, podem adaptar o seu modo de ser e os seus gostos dependendo de quem querem seduzir

A perversão não tem cura, mas o tratamento com o psicólogo em parceria com o psiquiatra consiste em desarticular os sintomas, para que a pessoa perca a sensação de gozo ao prejudicar outras pessoas e diminua a carga de prepotência. Já os remédios visam diminuir a impulsividade e estabilizar o humor. É possível que a pessoa viva em sociedade e tenha relações mais saudáveis.

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