psicologia

O machismo traz problemas psicológicos para homens e mulheres

Segundo o dicionário Michaelis, o machismo é a “ideologia da supremacia do macho que nega a igualdade de direitos para homens e mulheres“. Já para a psicanálise, o machismo é o excesso de valorização de atributos masculinos em detrimento dos femininos, onde o homem assume uma postura vital na organização da sociedade e a mulher deve obedecê-lo.

No passado, os homens trabalhavam fora e as mulheres ficavam em casa para atender as necessidades do marido, sendo submissas e com a função de cuidar de filhos, cozinhar, lavar e serem boas esposas. Durante séculos, as mulheres não votavam, e aquelas que por alguma circunstância precisavam trabalhar fora de casa, eram mal vistas pela sociedade. Já os homens tinham “aventuras fora do casamento” e comportamentos tóxicos com suas esposas.

Ao longo do tempo, as mulheres foram conquistando direitos e o movimento feminista surge para fazer com que mulheres e homens tenham direitos iguais, não reduzindo a sociedade em “homens tem determinado papel” e “mulheres tem outro papel”. No entanto, mesmo com tantos avanços sociais, o machismo ainda perpetua até hoje.

Para a psicóloga Marcela de Oliveira Ortolan, em entrevista à Folha de Londrina, o machismo atinge principalmente as mulheres, já que a humanidade foi desenvolvida para oprimí-las e termos uma ótica masculina do mundo.

É uma forma de opressão de gênero, não é enfocada em homens em específico, mas é a estrutura da sociedade. A opressão aparece de diversas formas: salário das mulheres, direitos ainda não conquistados, pesquisas médicas sobre o corpo feminino que ainda não foram realizadas. Nós não enxergamos isso porque não estamos treinadas a olhar”, explica.

Ortolan chama a atenção para o que o machismo causa, já que a opressão pode desencadear problemas emocionais, cognitivos e comportamentais, como estresse pós-traumático, depressão, crise de pânico e outros transtornos psicológicos, além da própria violência física.

Além disso, a Associação Americana de Psicologia realizou um estudo para rastrear o comportamento sexista e as doenças psicológicas, e concluiu que os próprios homens machistas têm maiores chances de desenvolverem problemas mentais do que aqueles que têm atitudes menos sexistas.

A análise encontrou conexões entre o comportamento sexista e transtornos mentais como depressão e abuso de substâncias. “Algumas dessas normas masculinas sexistas, como ser um playboy e se sentir poderoso sobre as mulheres, não são apenas uma injustiça social, mas elas também são potencialmente ruins para a saúde mental”, explica o  líder do estudo Y. Joel Wong, PhD da Indiana University Bloomington.

Segundo a psicóloga Mirian Béccheri, que estudou a masculinidade tóxica em sua tese de doutorado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), é necessário buscar outras expressões de masculinidade que superem o machismo e que sejam saudáveis.

“Uma masculinidade saudável passa por uma revisão do que de fato pode somar para o homem enquanto pessoa, cidadão, parceiro e pai, em termos de qualidade de vida, sem que isso prejudique o outro ou a outra”, comenta.

Béccheri defende que o machismo fragiliza toda a sociedade, não só as mulheres.

“O machismo fragiliza todo mundo. Coloca o homem mais em risco, faz com que ele não se cuide e o trava na hora de se expressar. Quando o homem se permite a isso, ele percebe que tem benefícios e consegue se dar ao direito de exercer e se apropriar de lugares e comportamentos que, pelo machismo, seriam ‘femininos’ e por isso ruins.

O mais bacana é isso: conseguir se apropriar do que as pessoas falam que é masculino ou feminino, sendo homem ou mulher, porque isso não faz diferença nenhuma, desde que seja um valor bom e positivo para você. As discussões sobre paternidade são o que temos hoje mais perto do que seria uma masculinidade saudável. É onde o homem vai ser confrontado com a necessidade de ser afetivo e se expressar de um modo amoroso.

O processo de socialização do menino e do adolescente não pede isso. Ele tem que “caçar”: caçar o que fazer, caçar mulher, caçar briga. A amorosidade não está ali. Aparece um pouco no contato com a mãe, menos com o pai, e pode surgir se ele se colocar no lugar de um pai afetivo quando ele for pai.

Eu acredito que uma masculinidade saudável passa por uma revisão do que de fato pode somar para o homem enquanto pessoa, cidadão, parceiro e pai, em termos de qualidade de vida, sem que isso prejudique o outro ou a outra.”

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