psicologia

Delírio: a certeza de algo que não existe

O delírio, também chamado menos frequentemente de “delusão”, é uma crença errada mantida com grande convicção. Em geral, eles ocorrem dentro do contexto de doenças mentais ou neurológicas, particularmente na esquizofrenia. Segundo o psiquiatra e filósofo Karl Jaspers, há três critérios principais para considerar determinada crença como delirante:

  • Certeza mantida com absoluta convicção;
  • Incorrigibilidade: não passível de mudança por fora de contra-argumentação ou prova em contrário;
  • Impossibilidade ou falsidade de conteúdo;

Pessoas que deliram possuem resistência e irredutibilidade perante à lógica e à experiência; tendência a crescer e difundir-se por toda a consciência, tornando-se o centro de gravitação da vida do indivíduo; falta de consciência e perturbação.

É importante ressaltar que o delírio e as alucinações são duas vertentes diferentes, considerando que a primeira é uma crença equivocada perante algo, enquanto a alucinação é a percepção errada manifestada através da visão, audição, tato ou olfato. Neste último a pessoa ouve vozes, sente picadas, enxerga pessoas mortas também.

Segundo um artigo do canal espanhol Psicologia Madrid, há diversos subtipos de delírios, sendo que os mais comuns são:

  • Delírio de Perseguição ou Paranoia: o mais comum de todos. A pessoa que sofre deste tipo de delírio, está convencida que algo de mal vai acontecer, e que está a ser vítima de uma perseguição. Nestes casos, a pessoa considera que está a ser perseguida por inimigos que lhe querem fazer mal. Este dano pode ser físico ou moral. É mais comum na esquizofrenia paranóide, no distúrbio delirante ou na fase maníaca do Transtorno Afetivo Bipolar, mas podem ocorrer em qualquer transtorno psicótico.
  • Delírio de influência ou metacognitivo: o doente crê que seu pensamento é controlado, interceptado ou lido por outra pessoa, um grupo de pessoas ou forças externas. Pode sentir que alguém o controla a distância, ou o contrário, que tem o poder de ler e controlar outras pessoas com o pensamento. Ocorre durante os surtos psicóticos na esquizofrenia.
  • Delírio hipocondríaco ou somático: o doente queixa-se de sintomas, deformações ou defeitos físicos apesar de todos exames médicos normais. Pode ocorrer na depressão psicótica ou na hipocondria. Inclui Síndrome de Cotard em que a pessoa tem certeza que já morreu.
  • Delírio melancólico ou de ruína é frequente na depressão nervosa psicótica. O doente crê-se ameaçado por acontecimentos irremediáveis e que nada pode fazer para evitar sua ruína ou catástrofe.
  • Delírio de grandeza ou megalomaníaco: as pessoas que sofrem deste tipo de delírio consideram-se superiores aos outros em diversos aspectos. Podem considerar-se os reis de todos os seres humanos, que é a única pessoa inteligente que existe no mundo, que é a pessoa mais rica de todas. Consideram-se pessoas especiais, e que a sua existência tem uma grande importância para a humanidade.
  • Delírio de ciúme ou celotípico: O doente, por temer uma infidelidade conjugal, cria uma série de racionalizações que o levam para ideias constante de ciúme, apesar da ausência de evidências. Pode constituir situações de grande periculosidade (agressividade e homicídio), sobretudo em alcoólicos.
  • Delírio místico: ideias de conteúdo religioso como deuses, anjos, demônios, espíritos e avatares. Inclui o delírio messiâniaco, ou síndrome de Jerusalém, em que a pessoa acredita ser o Messias escolhido por Deus para divulgar sua mensagem. Muitos cultos foram criados por delírios místicos.
  • Delirio romântico ou erotomaníaco: a pessoa acredita que outra pessoa, geralmente o médico, psicólogo ou pessoas famosas, estão apaixonados por elas. Por exemplo: um(a) fã fanático que acredita que tem uma relação especial com seu(sua) ídolo(a) e que pequenos gestos inocentes durante as apresentações são expressões de amor especialmente para ele(a).
  • Delírio de referência ou autorreferencial: a pessoa acredita que todos eventos estão relacionadas com ela. Exemplo: “O universo conspira para que eu cumpra meu destino”.

O tratamento é realizado com um psiquiatra, que prescreve medicamentos antipsicóticos de acordo com a indicação de cada caso. Já o psicólogo investigará as causas que contribuem para o delírio.

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