psicologia

Novo estudo comprova diferenças cerebrais nas pessoas transgêneros

De acordo com um artigo publicado em Saber Atualizado News, vários estudos recentes têm apontado significativas diferenças na estrutura do cérebro entre indivíduos cisgênero (que se sente confortável com o genital que nasceu) e transgênero (que precisam transicionar para o outro gênero para se sentirem confortáveis).

Um estudo recente publicado na Psychological Medicine reforça que a neurobiologia está relacionada aos sentimentos incongruentes de gênero. Isso porque, durante o período intrauterino na segunda metade da gravidez, a exposição à testosterona tipicamente masculiniza o cérebro do feto do sexo masculino. Caso não ocorra essa exposição, teremos como resultado o cérebro feminino.

A diferenciação sexual do cérebro ocorre em um estágio muito mais tardio que o desenvolvimento dos órgãos genitais, e esses dois processos podem ser influenciados de forma independente um do outro, o que resulta na incongruência de gênero. Ou seja, os mecanismos envolvidos na diferenciação sexual do cérebro incluem hormônios, genética, epigenética, disruptores endócrinos, resposta imune e auto-organização.

O estudo também aponta que não há evidências de que o ambiente social possui um papel determinante no desenvolvimento da identidade de gênero ou de orientação sexual. No caso da identidade de gênero, fatores sócio-culturais ajudam a moldar esse senso interno do indivíduo, mas não no sentido de determinar a cisgeneridade ou transgeneridade.

No novo estudo, pesquisadores usaram ressonância magnética funcional (fMRI) com difusão (DWI) para investigar o cérebro de adolescentes e pré-adolescentes, com o auxílio da técnica de anisotropia fracionada (análise quantitativa usada para demonstrar a densidade e mielinização das fibras que compõe a substância branca do cérebro) regional. Em específico, foi analisado o impacto da puberdade nas alterações da organização da matéria branca de 35 crianças pré-pubertárias (com ausência de tratamento hormonal) e 41 adolescentes com incongruência de gênero recebendo supressão pubertária. Participantes transgêneros foram também comparados com 79 outros indivíduos cisgêneros na mesma faixa de idade e não submetidos a tratamento hormonal.

Do total de 82 crianças e 82 adolescentes analisados, haviam 20 meninas pré-pubertárias transgêneras (idade média de 10,4 anos), 15 meninos pré-pubertários transgêneros (idade média de 9,6 anos), 20 adolescentes transgêneros do sexo feminino (idade média de 15,4 anos) e 21 adolescentes transgêneros do sexo masculino (idade média de 16,1 anos). Todos foram recrutados na cidade de Amsterdã, Holanda.

Os resultados das análises mostraram que os adolescentes transgêneros possuíam um menor nível de anisotropia fracionada (AF) no fascículo fronto-occipital inferior bilateral (FFOIB), no fórceps maior e no corpo caloso do que os indivíduos cisgênero. Além disso, a média dos valores de AF do FFOIB direito correlacionava negativamente com a dosagem cumulativa dos supressores pubertários recebidos. Por fim, crianças pré-pubertárias também exibiram diferenças significativas em termos de AF no FFOIB direito e no trato cortical-espinhal esquerdo, mas com um padrão reverso (transgênero > cisgênero) em relação àquele observado nos adolescentes. Esse último achado realça a complexidade com a qual os hormônios sexuais, durante diferentes fases do desenvolvimento humano, interagem com e impactam o desenvolvimento psicológico e cerebral, incluindo a percepção do próprio gênero – somando-se à diferenciação sexual no desenvolvimento fetal.

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