psicologia

Culpabilização da vítima: quando justificam atos abusivos apontando defeitos nos agredidos

A culpabilização da vítima é um termo cunhado pelo psicólogo dos Estados Unidos William Ryan em seu livro “Blaming the Victim” (Culpando a Vítima, em tradução livre), de 1971, visando abordar a questão das minorias étnicas do seu país. 

Como o nome sugere, é o ato de justificar uma desigualdade ou um abuso ao procurar defeitos ou vulnerabilidades nas vítimas. É diferente do vitimismo em que a pessoa se coloca numa posição de vítima e nunca se responsabiliza pelos seus problemas, procurando se abastecer da compaixão dos outros.

Quando há a culpabilização da vítima, há uma situação em que a pessoa é, de fato, uma vítima, mas as pessoas ao redor diminuem ou eliminam a culpa do agressor e responsabilizam a pessoa agredida. Algumas frases comuns incluem:

“Ela foi estuprada, mas ela não tinha nada que andar na rua aquela hora, não é?!”

“O marido bateu nela, mas ela também não é mole…”

“Isso aconteceu com ela, porque ela permitiu que isso acontecesse. Só fazem com a gente o que a gente permite”

“Ela também estava pedindo por isso, sabia que não devia ir pra lá e foi, né?”

“Cada um tem a sua versão da história e os dois estão errados

“Não existem vítimas nesse mundo”

Às vezes até mesmo o fato da vítima não fazer nada é razão para responsabilizá-la perante o ato do agressor.

Aqui no Brasil, foi realizada uma pesquisa em 2014 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), mostrando que 13,2% das pessoas concordavam com as frases “Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar” e “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”.

Já uma outra pesquisa do instituto Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) apontou que um em cada três brasileiros acredita que nos casos de estupro, a culpa é da mulher. Em muitas situações, a vítima fica insegura e se sente responsável pelo que acontece com ela também.

Também é comum que muitas crianças abusadas sexualmente também se sintam culpadas ao longo da vida por terem passado por esse trauma, mesmo que “racionalmente” elas entendam que a culpa não é delas, emocionalmente o sentem.

Essas coisas contribuem para baixa autoestima, sintomas de ansiedade, depressão e nessas horas um bom psicólogo pode ajudar a pessoa a sair desse ciclo e fortalecer a autoestima ao ponto de se posicionar e mostrar que ela foi vítima de uma determinada situação e que ela pode sair.

A pessoa que se vitimiza precisa aprender a se responsabilizar pelas coisas que acontecem com ela. Caso haja uma situação em que alguém é, realmente, a vítima, essa pessoa precisa de compaixão e um fortalecimento da autoestima.

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