psicologia

É normal eu não querer ser mãe?

Segundo um artigo da mestra em Psicologia da Educação, Nathalia Pontes, ao blog Leiturinha, cerca de 79% dos brasileiros não querem ter filhos nos próximos anos e por volta de 14% das mulheres brasileiras não querem, ao menos, ter um filho.

Por uma questão cultural, a escolha de uma mulher em não querer ser mãe ainda causa estranheza. “Como assim você não quer ser mãe?” “Você não tem medo de se arrepender?” “Ser mãe é a melhor coisa do mundo!”. Sendo que, dificilmente, as mulheres que querem ser mães são questionadas sobre seu desejo pela maternidade.

Já a jornalista Juliana Sonsin em um artigo na Telavita faz uma comparação entre os atores hollywoodianos Leonardo DiCaprio e Jennifer Aniston, sendo ambos bem sucedidos em suas carreiras, status, dinheiro, e acima dos 40, e os dois não são e nem querem ser pais. No entanto, os jornalistas e a mídia questiona muito a Aniston a razão pela qual ela não quer ser mãe, mas o mesmo questionamento não existe para o DiCaprio, o que evidencia um valor cultural de que a maternidade é algo “quase divino”, enquanto a paternidade não tem o “mesmo peso”.

Elizabeth Badinter, no livro “Um amor conquistado: o mito do amor materno”, diz que a sociedade se organiza de modo paradoxal, pois quando a mulher afirma “eu não quero ser mãe”, ela sofre um grande julgamento social, como se ela fosse egoísta, fria e má. Porém, se ela engravida, ela também é a única responsável pela gravidez, o que coloca ela como a única culpada pela gravidez.

Segundo o canal MaterOnline, para garantir um padrão de funcionamento da sociedade – que subjuga a mulher, coloca em posições menos valorizadas e poda o direito a escolha própria – a maternidade foi sendo cada vez mais romantizada e o “instinto materno” tido como base para o objetivo de vida da mulher na sociedade, reduzindo-a a capacidade reprodutiva.

E isso só serve para gerar sofrimentos, seja para a mulher que não quis a maternidade (é inaceitável ela não desejar ser mãe, terá que se justificar sempre), a mulher que de fato desejou a maternidade (se ela quis, e é a obrigação dela, não pode reclamar de nada), para a mulher que tem dúvidas quanto ao seu desejo (será que ela quer mesmo assumir a função materna ou só passou a vida toda aprendendo que não há outra opção?) ou para a mulher que não pode ser mãe (se é obrigatório ser mãe, e uma mulher só é completa assim, ela se sente diminuída com a infertilidade).

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